Crise ameaça Europa 2008-07-15 00:05
Os alarmes soaram mas os economistas ainda evitam a palavra recessão
Com o desemprego a subir há dois meses consecutivos e o índice de produção industrial no valor mais baixo desde 1992, soaram os alarmes na europa. mas os Economistas ainda recusam a expressão.
Luís Reis Ribeiro
Os indicadores económicos mais recentes fizeram disparar o sinal de alarme: o barómetro da OCDE que antecipa o andamento da economia da zona euro nos próximos seis meses está a cair há quase um ano e atingiu em Maio o valor mais baixo desde Agosto de 1993, ano em que a recessão alastrou à maioria dos países europeus (o PIB dos 15 que actualmente formam a zona euro recuou 0,7%). É para a área da moeda única que Portugal escoa a esmagadora maioria das exportações e é de lá que vem parte substancial do investimento estrangeiro.
Ontem, o Eurostat emitiu outro sinal preocupante: a produção industrial, um dos indicadores mais importantes para tomar o pulso à conjuntura, sofreu a maior queda mensal desde o final de 1992 (-1,9%), com Portugal à cabeça (-5,7%), acompanhado pelos seus maiores parceiros comerciais. Isto depois de, na semana passada, o Banco Central Europeu ter alertado que o desemprego da zona euro subiu em dois meses consecutivos, o que não acontecia desde início de 2005.
Assim sendo, deve desfraldar-se desde já a bandeira para avisar “recessão à vista”? Dizer que a economia europeia está à beira da recessão talvez seja um pouco exagerado, mas a sensação de que as coisas estão a piorar de dia para dia e de que há um risco crescente de aterrar num pântano económico é consensual entre os economistas ouvidos.
O consenso aponta, para já, para uma estagnação da actividade, com consequências negativas certas para o mercado de trabalho – que, aliás, já se verificam. Os países mais pequenos e dependentes do comércio externo, como é o caso de Portugal, estão especialmente vulneráveis neste jogo. Fora da zona euro, o cenário é mais delicado: a Dinamarca entrou mesmo em recessão técnica no primeiro trimestre deste ano (dois trimestres seguidos de contracção do PIB), o Reino Unido para lá caminha, têm dado a entender vários observadores.
Oliver Hüselwig, vice-presidente do influente instituto alemão de análise de conjuntura Ifo, diz ao Diário Económico que não vê riscos de recessão nos países da zona euro. Mas defende que há casos problemáticos, como Espanha e Irlanda – dois países em “abrandamento pronunciado” por causa do esvaziamento do mercado imobiliário, acelerado pela forte subida das taxas de juro na sequência da crise financeira do ‘subprime’. Para o economista alemão, o risco de recessão aumenta “naturalmente” em fases difíceis do ciclo, mas o mais certo é que a zona euro acabe o segundo trimestre do ano em estagnação. O Ifo prevê um alívio gradual da conjuntura até ao final do ano, que culminará num crescimento de 1,6% em 2008 (a Comissão diz 1,7%).
Diane Vazza, directora de ‘research’ da Standard & Poor’s, em Nova Iorque, sublinha que “a subida das taxas de juro e o fortalecimento expectável do euro nos próximos meses vão contribuir para diminuir a competitividade das exportações e, no mínimo, para uma actividade económica mais fraca até final de 2008 e parte de 2009”. E Julian Callow, economista-chefe do Barclays Capital, afirma que “as coisas na zona euro estão a piorar a olhos vistos no plano económico e também não estão nada bem quando olhamos para a desvalorização dos activos financeiros e dos mercados imobiliários”. Mas ainda assim prefere evitar o termo recessão.
A grande vantagem do choque nas taxas de juro é que “ajuda a controlar a inflação, garantindo condições para a retoma que virá”. Quando? Os peritos não sabem. Jean-Michel Six, economista-chefe da S&P para a Europa, sustenta que “Espanha, Grécia, Portugal e Irlanda” são as economias do euro mais endividadas e dependentes do financiamento estrangeiro pelo que “deverão experimentar um forte abrandamento nos próximos 18 meses”. Mas também recusa acenar com o monstro da recessão, aceitando, no entanto, que a “sensação” está lá.
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Zé
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O BCE deveria baixar já e urgentemente as taxas de juro em pelo menos 1.00% e depois fazer descidas graduais de 0.25% até chegar ao ponto desejavel!!!
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g.rafael
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Não entendo como é que socrates,teixeira dos santos,manuel pinho distintas figuras deste governo vieram a público descansar os portugueses, lhes dizendo que a crise que se advinhava internacionalmente não teria consequências em Portugal porque este governo teria tido o douto saber de prover o que se previa desde longa data naquele panorama e as medidas já teriam sido tomadas de forma a colmatar a situação. Acreditei.... Depois de ler este artigo constata-se que esta crise além de ser de longa data,em nada foi atenuada quanto mais colmatada, consequentemente aqueles srs. mentiram-me e mentiram aos portugueses porque se manterá durante pelo menos 18 meses sem se saber quando findará. Ela está bem patente e veio para ficar que o digam os portugueses que sofrem dia a dia arrastando-se pela penúria acometida por incompetentes. Bem e agora, prover foi apenas discurso de conveniência, MENTIRAM aos portugueses porque nem a crise interna e nem a externa está ultrapassada. Vivemos num país de faz de conta, derespeitando-nos a todo o momento. Mas que raio eu não os demito, em 2009,com justa causa e sem hipotese de regresso durante séculos. É demais não há palavras para qualificar quem se arvora em bom e falha em toda a linha colocando milhões de portugueses na penúria. Isto é o que se chama políticas de esquerda??? Isto é que é qualidade de vida?? A isto é que se chama convergência á MÈDIA europeia??? No que me diz respeito ps jamais voltará a enganar-me (Jamais em francês).
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JOSE SANTOS
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CARO G.RAFAEL
É A POLITICA DE UM PARTIDO DITO DE ESQUERDA QUE ENGANOU O SEU ELEITORADO AO PRATICAR UMA POLITICA DE DIREITA; MAIS À DIRETA QUE ATÉ OS PARTIDOS DITOS DE DIREITA FICARAM DE CALSAS ARREADAS.
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