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A caminho do Euro 2008 2008-05-12 00:05

Selecção nacional vale 383 milhões de euros

Os jogadores quase duplicaram o valor de mercado desde o Mundial 2006. Só Cristiano Ronaldo custa agora 100 milhões de euros.

Paulo Jorge Neves

Portugal está em alta: em apenas dois anos os jogadores da selecção nacional aumentaram em 90,55 o seu valor de mercado. Em 2006, no Mundial da Alemanha, Portugal estava cotado em 201 milhões de euros. Hoje, dia em que o seleccionador Luiz Felipe Scolari divulga os 23 que representarão o país no europeu que se realiza na Áustria e na Suíça, entre 7 e 29 de Junho, vale 383 milhões de euros. Este farto número resulta da média de valores que os agentes FIFA portugueses definiram em resposta à pergunta lançada pelo Diário Económico, tal como há dois anos.

O senhor 100 milhões
Cristiano Ronaldo é o jogador que mais contribui para a escalada. O valor do passe do avançado do Manchester United, que ganha 9 milhões de euros por época e é tido como um dos jogadores mais caros do mundo, senão o mais caro, aumentou mais do dobro. De 40 milhões em 2006 passa para 100 milhões de euros, podendo mesmo atingir os 125, se o clube inglês continuar a insistir que por 100 mil não o vende.

Deco é assim ultrapassado na liderança da lista pelo número 17 da selecção, que se transformou numa máquina de fazer dinheiro. É rosto do BES, figura de marcas como Vodafone, Coca-Cola, Suzuki, Pepe Jeans, Modelo, Nestlé e, não faltarão muitos anos, irá igualar o inglês David Beckham no topo da tabela dos futebolistas que recebem mais em direitos de imagem: “A curto/médio prazo o Cristiano Ronaldo ganhará em contratos de imagem o que aufere de salário anual [9 milhões de euros]», diz uma fonte próxima do jogador.

Defesas e atacantes bem cotados
Em sentido inverso aos milhões que o melhor jogador português gera estão os guarda-redes mais experimentados (Ricardo e Quim) e os jogadores do meio-campo (Deco, Maniche e Petit) que viram os seus preços de mercado descerem. Os agentes FIFA, que pediram anonimato, avisam que o mercado é muito volátil e depende de vários factores como a qualidade do jogador, o prestígio do clube onde actuam, o campeonato que disputam, as condições físicas e idade dos futebolistas. Um deles exemplifica: “O passe do Jorge Ribeiro no Boavista no início da época era metade do que é agora. Fez um bom campeonato, vai jogar no Benfica, tem 26 anos e experiência de selecções jovens. Se fizer um bom europeu pode ainda ser mais valorizado. Há um ano alguém dizia que o Bosingwa do FC Porto seria vendido ao Chelsea por 20 milhões?” Aliás, assinale-se a quantidade razoável de defesas cotados acima dos 15 milhões de euros (Ricardo Carvalho, Pepe, Bosingwa, Bruno Alves e Paulo Ferreira). Em alta está também a rejuvenescida linha atacante (Nani, Quaresma e Simão) que compensa as cotações de Pauleta e Figo, que deixaram por opção de vestir a camisola de Portugal.

Portugal vai receber 7,5 milhões de participação
Será sem a contribuição dos dois ex-internacionais que os jogadores da selecção nacional terão de vencer a competição na Suíça e na Áustria para poderem ficar com os 300 mil euros (60 mil contos na moeda antiga) de prémio de vitória que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) atribui a cada jogador. O maior prémio de sempre será suportado pela UEFA. O organismo dirigido pelo francês Michel Platini anunciou na sexta-feira passada que cada uma das 16 selecções receberá 7,5 milhões de euros pela participação, o que perfaz a quantia total de 184 milhões de euros. Um aumento em relação ao Euro 2004 em que os prémios ficaram pelos 129 milhões de euros, com cada equipa a ter direito a 2,7 milhões de euros. Na fase de grupos, uma vitória vale um milhão de euros e um empate meio milhão. As oito equipas qualificadas para os quartos de final receberão dois milhões, os semifinalistas três milhões, o finalista vencido 4,5 milhões e, por último, o vencedor 7,5 milhões. Com o prémio de participação, Portugal ou outra selecção que vença os jogos todos ganhará um total de 23 milhões.

Portugal não passa fase de grupos do Euro 2008
O futuro é imprevisível mas a matemática pode ajudar. E os modelos da UBS apontam para uma vitória da República Checa, derrotando a Itália na final do próximo Europeu. Já Portugal será uma das grandes surpresas negativas da competição e não vai passar da fase de grupos. As previsões da UBS acertaram no triunfo italiano no último mundial e têm por base modelos matemáticos semelhantes aos que o banco utiliza para calcular a evolução das taxas de juro. A única diferença é que, no futebol, a UBS utiliza os ‘rankings’ da FIFA e o desempenho das selecções em competições anteriores, em vez da inflação e dos preços do petróleo, por exemplo. O modelo mostra que a selecção comandada por Luís Felipe Scolari tem um desempenho positivo frente à Turquia, mas perde pontos com a Suíça e a República Checa e volta para casa mais cedo. Perde com a Suíça porque, à excepção da Bélgica em 2000, todos os países organiza-dores de campeonatos europeus passaram a primeira ronda do torneio.

Comentários
 
Solitario (fjps52@hotmail.com)
Aqui está uma boa oportunidade para Portugal melhorar as suas finanças. Venda-se já !
 
NapoLeão
Ora aqui está um "título enganador" ! O valor dos homens da selecção está inflaccionado. É o tipo de hipotecas "subprime"...comprem-nos e depois lamber as feridas será o passo seguinte !
 
comentadeiro
Já começou o imparável blá blá dos Portugueses por todo o lado no "bota a baixo". Vamos lá Selecção Nacional, ganhem o "caneco" para ver se este país anima por uns tempos. Vai ser complicado...mas quem sabe.
 
 
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