A caminho do Euro 2008 2008-05-12 00:05
O maior negócio do mundo
Principais patrocinadores prometem prémio de dois milhões de euros caso a Selecção vença o Euro 2008.
Joana Petiz
O futebol é o maior espectáculo do mundo. E em vésperas de Campeonato Europeu, será também um dos maiores negócios para as marcas que patrocinam a nossa selecção. Entre autocarros movidos a Energia Positiva, génios da bola e convocatórias para um desafio entre as estrelas da selecção nacional e um onze de amadores, vale tudo para ganhar a competição ao nível do ‘marketing’.
Depois do último Mundial – quando promoveu “a maior bandeira humana do mundo”, com a participação apenas de mulheres –, o BES renovou o contrato de patrocínio por mais quatro anos. Um investimento que, segundo o banco oficial do Euro, corresponde a cerca de 900 mil euros por ano, até 2010, e inclui todas as selecções nacionais de futebol e da FPF. Desta vez, cabe a Cristiano Ronaldo dar a cara numa campanha criada pela BBDO e produzida pela Krypton, em que a estrela surge como um génio – não da lâmpada mas da bola.
Depois do sucesso do Euro 2004 e do Mundial 2006, em que conseguiu mobilizar milhares de portugueses no apoio à selecção, o autocarro da Galp Energia está de volta, desta vez “empurrado” até Viena por dez milhões de portugueses. Nani, Quaresma e Simão Sabrosa dão a cara – e a voz, discutindo, no ‘spot’ de rádio, que figura de estilo melhor retrata o apoio dos portugueses – pela nova campanha, também criada pela BBDO e que conta com um êxito de Bob Dylan, “Paths of Victory”, como música de fundo. Quanto a valores, Isabel Calado, directora de ‘marketing’ da Galp, garante “representarem um valor residual no total do orçamento de ‘marketing’ da marca”. Sabe-se apenas que os protagonistas receberam 35 mil euros (antes de impostos) cada um.
Quanto à Sagres, que dá o nome ao próximo campeonato nacional – a Liga Sagres Zero, na época de 2008/2009 – e cuja relação com a selecção é a mais antiga, contando já com 15 anos e 43 milhões de euros investidos no futebol, fez uma aposta segura. Depois de iniciativas como a Camisola 12, no Euro 2004 – uma camisola da selecção de tamanho gigante, em que os adeptos deixavam mensagens –, e o Estádio Sagres, no Mundial 2006, e de entrar no futebol virtual, patrocinando a selecção Portuguesa no Pro Evolution Soccer, a Sagres volta à acção. Desta vez, Luís Figo convoca todos os portugueses para os jogos, oferecendo ainda a oportunidade a onze anónimos de formarem a Selecção Sagres Zero, que jogará com Luís Figo contra outras estrelas do futebol, na Suíça, um dia antes do arranque do Euro.
Eusébio, Chalana, Futre, Rui Costa e Cristiano Ronaldo são os protagonistas da campanha do Modelo, “Força de Campeões”, que inclui, além da publicidade desenvolvida pela BrandFiction e Fuel, cachecóis e um DVD com os melhores momentos dos cinco jogadores, nos espaços Sonae. A campanha representa um investimento de seis milhões de euros.
Resumindo, longe vão os tempos em que a Selecção Nacional de Futebol era um investimento de risco. A visibilidade crescente do desporto e as boas prestações da nossa selecção nos últimos anos – chegando à final do Euro 2004 e às meias-finais do Mundial de 2006 – deram o impulso necessário para que as empresas vissem no futebol um negócio lucrativo. Numa tentativa de rentabilizar o seu investimento, este ano, além dos patrocínios normais, as dez principais marcas associadas à selecção – Nike, BES, Galp, Modelo, Sagres, TMN, Hertz, Samsung, Coca-Cola e Visa, que renovaram os patrocínios até 31 de Julho de 2010, depois do Mundial da África do Sul – decidiram dar mais um incentivo aos jogadores. Trata-se de um prémio de desempenho que chegará, de acordo com o “Correio da Manhã”, aos 2 milhões de euros, caso a selecção vença a final do Euro 2008; metade, se se sagrar vice-campeã. Pela qualificação para a fase final, os jogadores já terão ganho um prémio de 75 mil euros, mas só devem receber mais se atingirem o objectivo proposto. A Nike, que veste Portugal até 2014, contribuirá com 300 mil euros, Sagres e TMN – que além da selecção patrocina Luiz Felipe Scolari – darão 200 mil cada, BES e Galp entram com 150 mil euros cada e os restantes contribuirão com mais de 100 mil euros cada. Apenas a Coca-Cola, que escolheu Quaresma para cara da sua campanha mas não divulga o valor do investimento, não faz depender o seu apoio dos resultados.
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